Publicado por: aparisi | Novembro 29, 2007

:: Uma nova visão

Ricardo Vianna tem 33 anos e é designer. Por ser filho dois sociólogos, Ricardo jurou que não ingressaria na carreira acadêmica. Fugiu da sociologia o quanto que pôde, mas hoje, prestes a ter o seu primeiro filho, ele enfrenta os problemas de segurança de seu bairro com uma nova ótica. Ricardo, há quantos anos você mora no bairro de Ipanema?

Moro em Ipanema desde que nasci, quase. Tenho 33 anos agora. Eu morava com meus pais em um apartamento na Nascimento Silva, hoje moro na Barão da Torre próximo da Rua Teixeira de Mello.

Como morador do bairro, como você enxerga a questão da falta de segurança?

Já sofri sequestro relâmpago em plena Praça Nossa Senhora da Paz. Às 18h, no estacioanmento ao redor da praça. Tenho que responder esta questão? A falta de segurança é geral. Em Ipanema, no Leblon, Botafogo ou Centro. Não faz muita diferença. Ali na praça a  iluminação é precária, o local é ermo. Fica complicado…O pior é que várias pessoas viram o meu sequestro relâmpago e de minha esposa e nenhuma se manifestou. Tenho medo de andar na rua em Ipanema, ainda mais porque moro perto da favela. À noite é extremamente inseguro passar perto da Praça General Osório. A praça é cheia de pivetes que ficam proximos ao ponto do ponto da integração do metrô. E o problema não é só de noite não. Vide o que aconteceu com os Italianos. Durante o dia andar no calçadão também já não é seguro, ainda mais portando algum eletrônico, como aparelhos de MP3, que são arrancados por pivetes andando de bicicleta…Passei boa parte da minha vida ouvindo inúmeras discussões acadêmicas entre meus pais e seus amigos. Ambos meus pais são acadêmicos de sociologia, eu odiava o tema. Não pensei que iria ter que pensar e me preocupar com tudo isso. Obviamente a minha visão mudou muito antes do que eu pensava.

Ao seu ver, esta questão se deve ao quê?Não tem muito como apontar um único problema. A questão é complexa, né. A diferença social é alarmante, o descaso dos governantes é assustador e a audácia dos bandidos nos surpreende cada vez mais. É absurdo e me enoja saber que não podemos sair de casa à noite, que temos que ficar preocupados ao esperar as nossas mulheres e maridos chegarem em casa! É bem difícil acordar todo dia e aceitar que lutamos para comprar as coisas, mas que não podemos usa-lás, pois há grande risco de sermos assaltados.

Publicado por: aparisi | Novembro 29, 2007

:: A Igreja e a Praça

          Ipanema era assim: um imenso areal com uma praia paradisíaca e águas salobras. Tinha um bonde que vinha de muito longe e sacolejava os passageiros. Poucos moravam lá. Mas, na medida em que mais moradores foram se alojando no bairro surgiu a necessidade de uma igreja. A verba foi coletada em rifas, leilões e com a ajuda dos moradores dos bairros de Copacabana e Leme – que, na época, já eram populosos. Naqueles dias, na Praça Souza Ferreira (hoje Praça Nossa Senhora da Paz) as dunas de areia se amontoavam.

          Com o calçamento das ruas, pouco a pouco, o bairro de Ipanema foi se desenvolvendo em torno da Igreja Nossa Senhora da Paz. Em 1936 a Praça Souza Ferreira perdeu o seu nome e a Igreja Nossa Senhora da Paz influenciou o batismo do mais novo logradouro público..  Hoje Ipanema tem vários pontos de atração turísticas, entre eles, a Praça e a Igreja Nossa Senhora da Paz. A praça, que começou a ser projetada em 1894, foi reconhecida e oficializada como logradouro público somente em 31 de outubro de 1917, apesar do enorme empreendimento do Barão de Ipanema. A Praça, onde hoje criancinhas brincam sob o sol, teve o seu primeiro ajardinamento em 1932.

        Em 1996, a Praça Nossa Senhora da Paz passou por uma enorme e significativa reforma com o valor de R$500 mil. Todo esse investimento foi feito por uma firma privada, que adotou a praça por cinco anos. Hoje, a praça é considerada uma das mais bonitas da cidade do Rio de Janeiro, devido ao bom trabalho realizado pela Fundação Parques e Jardins. A Praça Nossa Senhora da Paz, em 1999, recebeu quatro estátuas que a tornaram mais bonita. O local é alvo de reuniões aos fins de tarde, como a de imigrantes que se encontram às quintas e domingos, é lar para mendigos durante a noite e foi testemunha recentemente de um atropelamento com fuga. 

          A Praça e a Igreja Nossa Senhora da Paz são parte do patrimônio do bairro, compondo muitos capítulos da história de Ipanema. Cuidar dessas riquezas é como cuidar de um pouquinho de sua história. 

Publicado por: aparisi | Novembro 29, 2007

:: Volta por cima

            Sofia* se orgulha de não pensar muito em suas roupas. Veste-se com calças jeans e regata quase diariamente e não se complica. Moradora do bairro, ela caminha pela Rua Farme de Amoedo como se estivesse em casa. É que há seis anos, desde que ela se assumiu homossexual, a rua se tornou quintal de casa – já que, em casa ela não volta mais. Seu pai a expulsou de casa e ela foi morar com uma amiga. Sua vida mudou de feição naquele exato instante, pois ela foi obrigada a largar a faculdade de direito na Estácio de Sá e teve que encarar o batente.

            Seus 27 anos não lhe deixa esconder o jeito de moleca malandra, que revela um sorriso enorme quando ela não está roendo as unhas. Diz, acanhada, que o carnaval é a melhor das épocas porque é quando as festas trazem para o famigerado Baixo Gay  lésbicas e bissexuais que querem mais é farrear. Sofia se orgulha de não namorar de jeito algum e faz de tudo para não magoar as meninas.

           

Baixo Gay de Ipanema           

            Sofia se orgulha de ter acompanhado os vários momentos da rua em Ipanema. É freqüentadora assídua do Bar Bofetada – e diz que é referência no universo GLS carioca tanto quanto o bar internacionalmente conhecido. É que Sofia, além de lésbica assumida, se diz produtora de eventos pois nunca se formou. Trabalha como figurante em novelas da GLOBO e organiza uma festa mensal em Niterói chamada La Colocacíon. A festa começou pequena, com uma “miudeza de amigos” e hoje é referência na cena gay carioca. Ela me conta, orgulhosa, que as pessoas ficam implorando para entrar, gritam seu nome na porta e prometem favores, mas Sofia quer ver o ingresso pago.

            Há dois anos Sofia divide apartamento com um amigo e se sustenta, acima de tudo. Continua com sua rotina de praia e choppinho. Apesar do dinheiro ganho, ela compra poucas roupas. Não gosta de marcas e se orgulha de não pensar muito nisso.

Publicado por: aninhaere | Novembro 29, 2007

Garota da violência

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Em Ipanema um turista italiano morre atropelado depois de correr atrás de assaltante. Na esquina da Rua Joana Angélica a professora de educação física Carla da Silveira Campos foi baleada. Três homens invadem um apartamento em Ipanema. Na rua Piragibe Frota Aguiar dez homens armados roubam dois apartamentos.

Essas são manchetes comuns nos jornais do Rio de Janeiro. De acordo com o Instituto de Segurança Pública, em Ipanema o índice de furtos a pedestres teve aumento de 10% nos quatro primeiros meses deste ano.

Para contornar o problema o Governo do Estado do Rio de Janeiro e o Ministério da Justiça anunciaram no dia 23 deste mês medidas que fazem parte do Programa Nacional de Segurança com Cidadania, o Pronasci. Entre as propostas estão a manutenção por tempo indeterminado de 1200 homens da força nacional de segurança, a doação de 550 carros que ajudaram na segurança dos jogos pan-americanos e a criação de um programa de bolsas para complementar a renda dos policiais que deverão receber um salário base de no mínimo R$1.400,00.

Desde os jogos pan-americanos Ipanema ficou mais policiada, a cada 500 metros existe um carro da Polícia Militar. Mas mesmo assim os cidadãos estão inseguros. De acordo com Carlos Terra, 87 anos, dos quais 53 morados em Ipanema, a violência está cada vez pior. “Antigamente o bairro era muito mais tranqüilo. Agora eu tenho medo até de sair de casa. Ainda mais na minha idade”.

De acordo com o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP) o problema está em toda a cidade. Segundo uma pesquisa realizada em 2006 cerca de 21,8% dos cidadãos cariocas já foi furtado alguma vez na vida e outros 25,9% já foram roubados.

O bairro, famoso no mundo todo por causa de Vinicius de Morais e sua “Garota de Ipanema” perde cada vez mais visitantes que deixam de vir por medo da violência. O IPP mostra que a ocupação nos hotéis cariocas caiu muito. No ano 2000 a taxa de ocupação era de 70.0 e em 2006 foi de apenas 62.8.

Na sexta-feira (30/11) o presidente Lula fará uma visita aos morros do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho. Mas diferente dos moradores o presidente não precisa ter medo. A partir de hoje 82 policiais militares ocuparam 10 pontos estratégicos. A Rua Saint Roman, principal acesso aos morros, será fechada ao tráfego às 17 horas. A previsão é que Lula suba de carro por esta rua, do lado de Ipanema.

Publicado por: aninhaere | Novembro 29, 2007

Uma fina mistura

O arpoador, o Morro Dois Irmão e a Pedra da Gávea todos juntos em um só lugar. Este é o painel do Mistura Fina, ambiente regado a muito vinho, caipirinha, uísque e boa música. Um presente que Ipanema recebe no dia 29 de novembro, quando acontecerá a inauguração da casa com um show da cantora Cel.

O restaurante, que era localizado na Lagoa Rodrigo de Freitas e que fechou no dia 07 de abril depois de 29 anos de muita história reabre agora com vista para a Praia, na Avenida Vieira Souto esquina com a Rainha Elizabeth. Ali fica o restaurante Barril 1800. Apenas o segundo andar deu lugar ao Mistura Fina com o ambiente todo reformado. As antigas colunas foram substituídas por apenas três e os vidros de âmbar trocados por outros, transparentes, o que permite ampla vista para o mar.

A casa está cheia de novidades, entre elas a carta de vinhos. O Mistura Fina firmou uma parceria com a Casa do Porto. Serão 24 títulos fixos e mais 6 novidades a cada dia. Para comer os clientes também terão novas opções, como o bobó de camarão e os wraps de vários sabores. Mas para aqueles que sentem saudade do antigo gostinho do Mistura, muita coisa continua igual. Como a tradicional caipirinha de lima da pérsia, a feijoada aos sábados e domingos e o picadinho mistura que já vendeu mais de 50 mil unidades.

Além de ser conhecido pelo menu, o Mistura Fina é uma renomada casa de shows. E dará continuidade a fama. Para aproveitar a localização o espaço conta agora também com uma sessão happy hour, que acontecerá a partir das seis horas da tarde. As sextas-feiras e sábados a casa vai funcionar no esquema “doublé bill”, com shows às 20h e às 22h. Depois o espaço fica por conta de um DJ e as mesas, empilháveis, dão lugar a pista de dança.

O salão conta também com uma área Vip com cerca de 50 lugares que poderá ser reservada antecipadamente ou fechada para eventos. Entre as novidades tecnológicas o Mistura, em parceria com a JBL, importou um equipamento de som de última geração e será a primeira casa do Brasil a ter um sistema de gravação profissional, o Pro Tools HD, que permite gravar CD´s e DVD´s ao vivo.

A casa está de volta com o fino do jazz, da bossa, do rock, do pop. Só que, desta vez, a música vai ter que disputar a atenção com a natureza do Rio. Difícil decidir pra onde olhar.

Publicado por: aninhaere | Novembro 8, 2007

“Sexta-feira todo mundo faz sexo”

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Joice de Paula é uma garota carioca como outra qualquer. Adora tomar guaraná, sair com os amigos para um rodízio de pizza e escuta todos os tipos de música, menos sertaneja. Aos 24 anos, casada com o consultor Luiz Felipe, ela estuda para se tornar uma fiscal do trabalho. No curso, que acontece de segunda a sexta-feira na parte da manhã, uma particularidade da moça é assunto que cruza os corredores do prédio no intervalo. E entra aula dentro. Sempre que vai se apresentar aos professores no primeiro dia de aula, os outros alunos em coro falam: Pergunta onde ela trabalha professor! Então ela sorri, meio tímida, e responde: numa Sex Shop.

Então está armado o circo. A aula é interrompida para que Joice conte todas as suas histórias (que não são poucas). Faz um ano e cinco meses que ela trabalha na loja A2 Ela, em Ipanema, uma sex-shop exclusiva para o público feminino. Antes disso teve uma pequena experiência na loja 2-A-2, do mesmo dono. Mas para ela, trabalhar numa sex-shop só para mulheres é muito mais divertido. Vergonha na hora de vender? Nenhuma, diz ela. “Eu já estou tão acostumada a falar que parece que estou vendendo lápis, apontador, caneta.”

A A2Ela fica na Rua Visconde de Pirajá, no segundo andar do prédio 437. Para Joice, a localização é uma das qualidades da loja, que por ser dentro de um prédio dá mais discrição a cliente. As sacolas de compras também são discretas. Apenas com o nome Ela, ou então sem nome, uma sacola plástica cor-de-rosa. Alias, como muitas coisas da loja. Poltrona em formato de coração, pênis de pelúcia e lingeries, todas bem delicadas. A fissura é tanta que até os vibradores, que vêm no formato da genitália masculina (podendo variar o tamanho), podem ser bastante femininos. O mais famoso deles é o rabbit (coelho), que hoje em dia já pode ser encontrado com carinhas de outros bichos, mas ainda assim se chama rabbit. Para ser uma mulher, digamos, independente, é preciso pagar um preço alto. Como dizem, a liberdade custa caro. Um modelo sem pilha chega a R$1.187,70. Joice já tem o seu. “Eu chegava em casa e pensava: Que estranho, não tenho nada que vibra. Tive que comprar um.”

A vendedora afirma que este é o sonho de consumo de todas as mulheres que chegam a loja. Mas normalmente só é adquirido por clientes com mais de 30 anos. “As jovens adoram o brinquedinho, mas normalmente usam o cartão de crédito do pai, e como explicar um gasto de R$800 reais em apenas uma loja?” Pelo menos a fatura do cartão não vem com o nome A2Ela, nem com a denominação de sex shop. Mas nem tudo está perdido. Para elas existem outros produtos ao alcance. O anestésico para sexo anal, por exemplo, é um produto que sai muito. Ou mesmo as calcinhas. “Tem uma que vibra com controle remoto. Imagina você dançando na boate e seu namorado aperta o controle? Nossa, bom demais.”

Além de todos os produtos a loja também oferece cursos. Joice já fez o curso de strip-tease, mas pompoarismo para ela é muito difícil. “Eu não tenho disciplina, então esqueço de fazer os exercícios.” Mas quem quiser praticar é só ligar para a loja e fazer uma reserva. O curso dura dois dias, três horas e meia cada dia, e oferece, strip-tease, pompoarismo e massagem erótica. Na reserva é preciso depositar um sinal, que pode ser pago também na A2Ela.

Joice contou que nunca teve uma cliente muito estranha, mas Karen, sua colega de trabalho, já teve essa experiência. “Ela até quebrou um manequim. Ficava batendo nos lugares e dizendo que queria comprar tudo para parecer uma puta. Eu quero ser uma puta, ela ficava gritando na loja, uma louca.” Mas a própria Joice já passou vergonha por causa da profissão. “Saímos todos pra jantar no Outback para comemorar as vendas. E como todas as pessoas que trabalham juntas, só falamos de trabalho. Então eu falei: Ah! Porque aí ela pegou no pau, e fez tal coisa. E a Karen também não parava de falar. Até que um senhor da mesa ao lado veio reclamar que a gente estava desrespeitando o ambiente. E para gente é tão normal falar sobre sexo, que nem tínhamos percebido.”

Para Joice, a diversão das pessoas é sinônimo de muito trabalho. Quando vai chegando perto do final de semana a loja ganha muito mais movimento. “Na quinta-feira está todo mundo cheio de maldade, na sexta todo mundo faz sexo. Já segunda-feira, o cansaço das clientes é grande, e a loja fica morta.” E então este é o momento que Joice se diverte. E Luiz Felipe agradece.

Publicado por: aninhaere | Novembro 8, 2007

Deslizar em Ipanema

Patinight de natal

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Um passeio diferente chega a Ipanema. Quem chama a atenção na Avenida Vieira Souto não são mais os carros elegantes que trafegam sobre o asfalto. As quatro rodas foram trocadas por oito. E quem está sobre elas não é a máquina. São pessoas. Um grupo de patinadores que passeia pelo bairro, comandados pela professora Érika Cordeiro, também diretora de Corridas na FHPERJ (Federação de Hóquei e Patinagem do Estado do Rio de Janeiro), diretora de uma companhia de dança sobre patins que já se apresentou em diversos eventos, entre eles a abertura no Pan americano deste ano. Para entender melhor o que é o Patinight, nome dado ao passeio, leia a entrevista exclusiva com a organizadora do evento.

O que é o Patinight?
Patinight é um passeio norturno de patins pelas ruas da zona sul do Rio de Janeiro, inspirado em passeios internacionais.

O “Patinight” começou há quanto tempo?
O Patinight começou em março de 2004 e o primeiro aconteceu pela ciclovia, a partir dos segundo, fomos para as ruas e é assim até hoje !

O evento acontece apenas no Rio de Janeiro?
Sim, o Patinight é característico do Rio. Existem outros passeios no Brasil, cada um com um nome próprio como a Patinada da Lua, em Brasília, realizado sempre em noite de lua cheia, e o NRF, Night Rollers Forever, em Porto Alegre. No mundo, a maioria dos passeios tem nomes diferentes dependendo da cidade – Blade Night – Berlim, Alemanha, e Pari-Roller em Paris, França. Alguns com o dia da semana. Por exemplo: Friday Night Skate, em Amsterdam, Holanda, Wednesday Night Skate, em Nova Iorque, e Monday Night Skate, em Zurich, Suíça, entre outros.

Normalmente quantas pessoas participam?
De 15 a 40 patinadores.

Já aconteceu algum acidente com algum patinador?
Graças a Deus, a organização e ao bom senso dos patinadores, nunca aconteceu nenhum acidente grave, apenas poucos tropeços e tombinhos que nem machucaram, pois os patinadores estavam usando proteções.

Como você organiza o passeio? Existe alguma proteção, policiamento?
Eu e meu marido – Fernando José Lobo – organizamos o passeio. O passeio tem autorização da Sub-Prefeitura da Zona Sul, da CET-Rio, que aprova o percurso proposto, e da Guarda Municipal que faz a escolta. Normalmente, uma viatura com dois Guardas efetivos acompanham durante todo o passeio, ainda vão comigo. Meu marido, que é patinador, mais um a dois patinadores experientes voluntários, organizam e sinalizam os patinadores e motoristas. Esse grupo de apoio formado por três a quatro patinadores usa sempre coletes com faixas refletivas, pisca-pisca, capacete e rádio comunicador na cintura – walk-talk – com fone de ouvido, para mantermos as mãos livres para sinalizar, etc. Recomendamos aos patinadores participantes o uso de proteções – joelheira, cotoveleira, munhequeira, capacete e piscas-piscas.

A partir de quantos anos a pessoa pode participar?
Esse é um passeio para adultos, principalmente pelo horário que começa às 21h e termina por volta de 22:40h, mas crianças e adolescentes são bem-vindos desde que sejam aptos para acompanharem o percurso inteiro patinando com desenvoltura e sabendo frear com segurança, estejam usando todo equipamento de proteção inclusive capacete e que tenha uma autorização por escrito dos pais permitindo e se responsabilizando pela participação do filho no passeio. O patinador de menos idade a participar do Patinight foi uma menina de 8 anos – ferinha – e o de mais idade foi um senhor de 68 anos super-fera nas rodinhas.

Existem regras?
No local de encontro do Patinight, na hora de começar às 21h, faço uma reunião com todos para falar as “regras”. O passeio só é aprovado desde que respeitemos todos os sinais de trânsito e sentido da rua, ou seja, sempre paramos nos sinais vermelhos e patinamos na “mão” da rua, nunca na contramão. Nas ruas que existirem 3 ou mais faixas para carros, deveremos nos manter patinando como um grupo coeso na faixa da direita. Um sinal internacional, usado em passeios pelo mundo todo, é ao frear. Freada leve: um braço esticado para cima e todos os patinadores atrás deverão sinalizar esticando o braço também. Freada brusca: dois braços esticados para cima para sinalizar aos que estão atrás que deverão fazer também uma freada brusca, provavelmente ao fechar o sinal de trânsito, ou se por acaso alguém caiu ou para alertar algo. Ao fazermos curvas, sinalizamos com o braço na diagonal para cima para o lado a ser virado. Avisamos aos que vêm atrás se tiver algo que posso provocar quedas ou acidentes como se tem buraco, piso molhado ou desnível na rua.

Você recomenda algum patins especial? E alguma roupa especial?
Patins inlines e tradicionais são bem-vindos. Patins com bons rolamentos é recomendado e bem mais agradável e fácil do patinador acompanhar o passeio. Recomendamos o uso de roupas claras ou com refletivos, proteções ( joelheira, cotoveleira, munhequeira e capacete ) e se possível, piscas-piscas luminosos como sinalização.

Existem dias certos para o evento acontecer? E se chover?
O evento acontece trimestralmente, na segunda quinta-feira do mês. Em caso de chuva, o passeio é remarcado para a semana seguinte, a confirmar pois, dependemos da re-Autorização oficial da Sub-Prefeitura, CET-Rio e da Guarda Municipal. O próximo será o Patinight de Natal, quinta-feira dia 13 de dezembro, onde todos os patinadores usam camisetas vermelhas e touquinhas de natal e eu vou vestida de Papai Noel com barba, bigode, barrigão, cajado… É muito divertido, as pessoas que estão nos bares e restaurantes, mexem, brincam, fotografam e aplaudem ao ver os patinadores passando !!!

Qual é o percurso que vocês fazem?
O passeio passa em 13 a 19 ruas diferentes por Ipanema e Leblon (ruas internas como Barão da Torre, Nascimento Silva, Barão de Jaguaribe, Garcia D’Ávila, Farme de Amoedo, Dias Ferreira, General San Martin, etc., dependerá do percurso escolhido para aquele passeio, o passeio passa também nas avenidas da orla Vieira Souto e Delfim Moreira). O percurso é parecido a cada edição, mas não é o mesmo. Eu e meu marido, que me ajuda na organização, escolhemos o percurso e a CET-Rio aprova ou não, com a experiência, já conhecemos o tipo de percurso que a CET-Rio aprova.

O que a pessoa precisa fazer caso queira participar?
O passeio é gratuito e para participar basta chegar ao ponto de encontro – quiosque em frente ao Colégio São Paulo na orla de Ipanema quase Arpoador, às 20:30h. A saída é às 21h. Esse passeio só é permitido para patinadores. Para uma pessoa participar, ela deverá saber patinar a ponto de acompanhar o grupo, saber fazer curvas, desviar e frear com total segurança em qualquer velocidade. O passeio é calmo mas, se a pessoa não estiver acompanhando ou estiver oferecendo risco a si mesma ou à terceiros, os voluntários de apoio pedirão para se retirar e treinar mais para o próximo.Se a pessoa quiser receber os informativos avisando da data do próximo passeio, é só enviar seu contato via site: www.erikacordeiro.com.br

Publicado por: aparisi | Outubro 11, 2007

:: Nasce Ipanema

          Há que sempre se dizer: Ipanema quem te viu e quem te vê. O paraíso na terra. Uma mistura de natureza e arquitetura, de luxo e descontração, de euforia e calma. Das curvas. Das mulheres bonitas, das ondas, dos morros, do desenho na calçada. Lugar de misturas. Dos intelectuais, dos filósofos, hippies e fúteis, que juntos, sentam numa esquina para compartilhar um chopp no fim do dia.

          Lugar de cultura. Da música boa, das pequenas galerias de artes enfiadas em becos, das grandes livrarias com seus cafés, da arte exposta na vitrine das lojas chiques. Dos bares antigos e novos, modernos ou carregados de um passado de histórias.

          Histórias de grandes nomes. Do lendário Vinícius de Moraes, que agora virou até nome de rua no bairro. Da musa que inspirou o poeta, Heloísa Pinheiro, a tão famosa garota de Ipanema. De Toquinho. Tom Jobim. Leila Diniz. Cazuza. Gabeira. Gal. Caetano. De muitos. De todos. De cada um que um dia pisou ali.

         História que começou em 26 de abril de 1894, quando o Barão de Ipanema comprou o terreno conhecido como “Praia de Copacabana” ou “Praia Grande de Fora”. O batismo com o nome atual veio do próprio barão, de suas propriedades em Minas Gerais.

          Na época o bairro era apenas uma pequena Vila com 19 ruas e duas praças – uma restinga espremida entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e Oceano Atlântico. As freqüentes chuvas vingavam em enchentes na Lagoa Rodrigo de Freitas que possuía, até então, somente um escoadouro. Ipanema trazia em sua etimologia Tupi (“água ruim”), o fardo dos problemas de saneamento. Buscando resolver este problema, o Barão de Ipanema propôs ao governo imperial um plano de construção de dutos que conduzissem as águas da Lagoa para o escoamento no Oceano Atlântico.

          As obras começaram ali, no século retrasado. Já são 113 anos de desenvolvimento. Hoje Ipanema tem prédios, carros, lojas. Muitas lojas. Um centro de consumo da Zona sul carioca. Consumo caro e luxuoso, claro. Muitos restaurantes, academias de ginástica, salão de beleza, farmácias, clinicas. Tudo muito moderno, inovador. Tem até rua destinada ao público GLBT. Mas, ali, atrás desta beleza toda tem uma outra Ipanema escondida. Excluída, posta de lado – que pulsa e se manifesta silenciosamente de outra forma. Um outro lado de uma mesma moeda de ouro. Ipanema, quem te viu e quem te vê.

Publicado por: aparisi | Outubro 11, 2007

:: A nova boemia

        Não é de hoje que Ipanema carrega a fama por sua boemia e descontração. O bairro ficou mundialmente conhecido devido à música “Garota de Ipanema”, composta por Tom Jobim e Vinícius de Morais em 1962 justamente enquanto tomavam um chope despretensioso no Bar Veloso (atual bar Garota de Ipanema). Aquela boêmia, misturada com a atmosfera fervilhante dos anos dourados, para muitos foi o real espírito de Ipanema. Espírito, este, que na opinião de alguns, há muito se perdeu. Porém na Rua Maria Quitéria, há mais de 15 anos, há um antro boêmio escondido – o bar Empório, que resiste e mantém àquele espírito descontraído vivo.           O bar que antes era um armazém que vendia especiarias dispõe de somente quatorze mesas que são disputadas a unhas e dentes por jovens em busca de chope gelado e música boa. A partir das oito da noite o mal-humorado Vicente já se encontra pronto, com suas características roupas pretas, para atender o seu primeiro cliente. Para Isabel Almeida, fotógrafa, o bar é excelente. É o seu preferido porque “é um dos últimos a fechar e, no Rio de Janeiro, poucos bares tem esse diferencial de fechar bem tarde”. Essa é a principal característica do bar que é visto como uma segunda casa para os muitos jovens que se consideram “filhos do Empório”.

o famoso bartender, Vicente

        

          O Empório tem a fama de ser um ícone da noite alternativa da cidade. Toca rock a noite inteira sob o comando de  Por lá passam mais de duzentas pessoas por noite que se apertam, se espremem e dividem o espaço com figuras conhecidas: o cara do amendoim, o Luizinho da cerveja, e o próprio “dono” do estabelecimento – o Vicente. Para os estudantes de direito Ed Jimenez e Gabriela Stasi o bar não é lá essas coisas. Gabriela diz que “o som é legal, mas se você precisar ir ao banheiro esqueça! A porta não tem tranca, o cheiro é insuportável e ainda por cima é todo molhado”.            São muitos os elogios e muitas as reclamações, mas a realidade é que o Bar Empório enche as calçadas da Rua Maria Quitéria e acolhe os tipos mais exóticos do Rio de Janeiro. A freqüência diversificada mistura estrangeiros, prostitutas, estudantes, descolados, motoqueiros e leigos, fazendo com que muitos digam que o Empório é “um bar totalmente desencanado que não quer agradar a ninguém”.            Na década de 60 o Bar Veloso serviu toda uma geração de intelectuais e intelectualóides, músicos e vadios e, foi palco de grandes acontecimentos. Reuniu Tom Jobim, Vinicius de Morais, Chico Buarque e Jaguar. Foi e sempre será um ícone quando o assunto for Ipanema. Não nos cabe a comparação e há quem se irrite, mas o bar Empório figura como um lugar “underground” icônico, que faz jus aos seus elogios.          Foi palco do primeiro show da famosa banda Los Hermanos em 1998, e coleciona aparições de celebridades nacionais e internacionais como: a atriz Drew Barrymore, a banda Ramones, a atriz Cleo Pires e Fábio Moretti baterista da banda The Strokes. O espírito malandro de um bairro desencanado perdura através de anos em pequenos lugares com suas particularidades. Sejam estas as jovens e bonitas beldades que por lá transitam inspirando poetas e músicos, ou um lugar único, amado, odiado e principalmente além de tudo freqüentado.

Freqüentadores ass�duos e público diversificado 

Publicado por: aninhaere | Outubro 11, 2007

O campo na cidade

No dia 3 de outubro aconteceu uma invasão no Rio de Janeiro. Entre o trânsito caótico, os arranha-céus, as lojas, os restaurantes, entre todas as características urbanas, surgiram inesperadamente, 100 vacas. Sim, aquele bicho que você só vê quando viaja pra bem longe do Rio agora está mais perto que nunca. Com a diferença de que as 100 vaquinhas da cidade não são de verdade, são de fibra de vidro. Elas fazem parte de um grande evento que já existe há 9 anos, chamado CowParede. E agora, chegaram para enfeitar a cidade maravilhosa.

A exposição já foi vista por 100 milhões de pessoas em 37 cidades espalhadas pelo mundo. No Brasil já passou por Belo Horizonte, Curitiba e São Paulo. Elas ficarão expostas até o dia 26 de novembro e depois serão leiloadas. A renda arrecadada será revertida para “Obra social da Cidade do Rio de Janeiro” ligada ao governo municipal. Quem quiser adquirir uma das vaquinhas precisa comparecer ao Rio desing Barra no dia 11 de dezembro. Agora, quem não tiver capital para comprar as esculturas pode adquirir as miniaturas que já estão sendo vendidas em algumas lojas de decoração.

As vacas estão espalhas pelos principais pontos da cidade do Rio de Janeiro e em Ipanema estão 11 delas. Os nomes são bastante criativos e as esculturas chamam a atenção dos passantes. A médica Izadora Simões disse que as vacas são muito legais e alegram o dia de domingo. “Meus filhos querem bater foto com todas elas”, disse a professora Beatriz Terra. Agora com a chegada da primavera as praias ficam lotadas e as vaquinhas da orla de Ipanema tem fila de espera para serem fotografadas. Todos querem guardar uma lembrança do evento que já é o maior sucesso.

Quem quiser fazer um tour pelas esculturas de Ipanema, segue abaixo todos os endereços.
1- Carioca do Brasil do artista Gilson Martins patrocinada pela Oi. End: .Visconde Pirajá X R. Anibal de Mendonça – Ipanema
2- Cow marítima do artista Luís Adensohn patrocinada pela Cia marítima. End: Av. Vieira Souto esquina com Joana Angelica
3- Cowçadão de Ipanema da artista Patrícia Secco patrocinada pela Oi. End: Av. Vieira Souto, nº 206 – Ipanema
4- Cowstelação da Equipe de criação H. Stern patrocinada pela H. Stern. End: Av. Visconde de Pirajá esquina com Garcia A’vila
5- Cowrota de Ipanema do artista Ique patrocinada pela Sol Ipanema. End: Av. Vieira Souto, 320 – em frente Hotel Sol Ipanema
6- Dama Vegana da Noite de OESTUDIO patrocinada pela Oi; End: Av. Vieira Souto, s/nº Quiosque 11 – Ipanema
7- Locowliza-se da Equipe de Criação Farm patrocinada Farm e La estampa. End: Av. Vieria Souto, Quiosque Coqueirão
8- Originals da artista Nelise Cardoso patrocinada pela Adidas. End: R. Garcia Dávila, 130 – em frente loja Adidas
Provocowte das artistas Daniella Di Nubilla e Renata Gobert patrocinada pela Oi. End: Praça Nossa da Paz, s/nº – Ipanema
9- Sorria dos artistas Patricia Larocca e Fabio Malx patrocinada pela Sony. End: Av. Vieira Souto, s/nº
10- Vaca Praiana da artista Christina Murad patrocinada pela Oi. End: Av. Vieira Souto esquina com Joana Angelica
11- Vaquérrima da Abel Equipe Ela/I Gomes patrocinada pelo O Globo. End: R. Visconde de Pirajá, nº 351 – Em frente ao Fórum

Maiores informações visite o site: rio.cowparade.com/

Cowçadão de Ipanema

Cowrota de Ipanema

Vaquérrima

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